Sunday, 30 June 2013

Selvagens - 31° ao 40° Capítulo


Selvagens (Savages)

Don Winslow





31

Flashback:
Chon roda pela Highway 5 em seu clássico Mustang 66 preto.
Apontado para Fun Dog.
Etimologia:
San Diego
Sun Diego
Sun Dog
Fun Dog
Sob um cobertor no banco de trás, repousa uma escopeta Remington modelo 870 SPS Super Slug pump action, calibre 12 com suporte sintético de mira e empunhadura de borracha que “leva a tecnologia de abate de cervos a um alcance maior e a grupos menores do que era antes possível”.
No momento ela está descansando para sua grande reunião de negócios.


32

Chon gosta de reuniões curtas.
Aprendeu isso em um livro chamado O que não se ensina na Harvard Business School.
Reunião curta é reunião boa.
Ele dirige até Dago, localiza a casa de Golden Hill que está procurando e estaciona na rua. Acorda a escopeta (“Chegamos”), cruza a tal rua e bate na porta.
Chave de Roda abre. Grande idiota gordo, ombros peludos e pesados aparecendo sob a camiseta.
Chon leva a escopeta à garganta de CR e aperta o gatilho.
A cabeça do sujeito vai longe.
(Fun Dog!)
Uma coisa que eles não ensinam a você na Harvard Business School.
“Selvagens: Como lidar com eles.”
Selvagemente.


33

Ainda no modo flashback:
Chon volta a Tuna…
Etimologia:
(E, por falar nisso, Chon realmente gosta da palavra “etimologia”, cuja etimologia é grega e significa “no verdadeiro sentido”. Hummm…)
Laguna rima com
Tuna (atum)…
Entocado com um enorme arsenal, ele diz a O. para não aparecer até a gangue dos caras de bicicleta retaliarem.
Eles não retaliam.
Ele nunca mais ouve falar dos caras, a não ser pelo Sistema de Comunicações Bongo Drum da Califórnia: decidiram sair do negócio de erva para concentrar seus esforços em metanfetamina.
Uma sábia decisão administrativa.
Não expanda horizontalmente até ter conseguido capacidade vertical máxima.
Também: não sacaneie alguém antes de saber exatamente quem você está sacaneando.
E, quando souber, não sacaneie.


34

“Não sacaneie ninguém.”
Esse é o princípio básico da filosofia pessoal e empresarial de Ben.
Ben se descreve como um bundista, isto é, um “budista bundão”, porque algumas vezes come carne, sente raiva, raramente medita e decididamente usa substâncias alteradoras da consciência. Mas, no que diz respeito aos fundamentos do budismo, Ben escolhe…
Não fazer o mal
Que Ben compreende como
Não sacaneie as pessoas.
E ele não acha que o Dalai Lama questionaria isso.
Além dos depósitos com correção monetária no banco do carma, essa tem sido uma estratégia empresarial muito bem-sucedida, a base do grande sucesso da marca Ben e Chonny’s.
É uma marca.
Assim que você se junta à B&C, como cliente ou representante de vendas, sabe exatamente o que vai receber:
Como cliente…

Hidro orgânica saudável e segura de primeira categoria e sem igual por um preço justo

Como representante de vendas…

um produto magnífico que se vende sozinho 
participação nos lucros 
excelentes condições de trabalho
benefícios
plano de saúde

Sim, plano de saúde, por meio da empresa de Ben que vende na internet artesanatos do Terceiro Mundo feito por mulheres do Terceiro Mundo.
Como se vê, Ben segue o princípio budista de “vida justa”, que combina bem com sua doutrinação socialista na infância e sua noção empresarial um tanto reaganista.
Ben não quer saber da rígida integração vertical de cima para baixo do Cartel de Baja. B&C (e o “e” comercial é tudo, na opinião de Ben) tem uma pseudoestrutura organizada não rigidamente e horizontal de disseminação (“O dinheiro não dispara para cima para depois ir gotejando, ele flui”) que permite o máximo de liberdade e criatividade.
A lógica de Ben nisso é que de qualquer forma é impossível organizar vendedores de maconha (por motivos provavelmente óbvios), então por que tentar controlar caras incontroláveis (embora legais) quando eles se saem melhor por conta própria? Assim…
Quer vender bagulho? Legal. Não quer? Legal. Quer vender muito? Legal. Quer vender pouco? Legal. Você escolhe as próprias metas, define os próprios orçamentos, estabelece o próprio salário, tudo muito legal. Basta encomendar o quanto quiser da Nave Mãe, e cuidar dos seus negócios.
Essa filosofia simples, somada ao cuidado que ele tem ao plantar seu produto de primeira, fez de Ben um jovem muito rico.
O Rei da Hidro.
O Rei Legal.


35

É claro, alguns críticos — e Ben é um deles — diriam que Ben só pode ser Ben porque Chon é Chon.
Ben reconhece sua própria hipocrisia nessa questão.
(Ele é totalmente autoconsciente e autoanalítico. Ver:
Ben, criação de.)
Ele e Chon têm até um nome para isso:
“Hidrocrisia.”
A hidrocrisia é óbvia — Ben luta para ser não violento e honesto em um ramo de negócios que é violento e desonesto.
— Mas não precisa ser — argumentou Ben.
— Mas é — retrucou Chon.
— Mas não deveria ser.
— Tá, mas e daí?
Ora, e daí que Ben eliminou 99 por cento da violência e da desonestidade de seu negócio, mas o um por cento restante é…
… onde entra Chon.
Ben não precisa saber o que Ben não precisa saber.
— Você é o povo americano — diz Chon a ele.
E Chon tem ampla experiência nisso.


36

Caras morrendo no Iraque e no Afeganistão e as manchetes são sobre
Anna Nicole Smith.
Quem?
Exatamente.


37

Ben acompanha a CNN no aeroporto.
Está indo para casa, vindo de Congo Bongo.
Etimologia:
O rio Congo passa por ele, e
Era chamado de Congo Belga, e
É uma doideira da porra lá.
Também conhecido como República Democrática do Congo.
O que Ben, o bundista, estava fazendo lá?
Financiando clínicas psicoterápicas para vítimas de estupro.
Mulheres traumatizadas, repetidamente estupradas e frequentemente mutiladas — primeiro por soldados rebeldes, depois pelos soldados enviados para protegê-las do grupo anterior. Assim, a Erva Verde dá cheques para clínicas de saúde e conselheiros, para testes de gravidez e de DST e…
… veja só…
… para instrutores que vão até os soldados e realizam oficinas para ensinar que estupro e mutilação são…
errados.
Ben deixa a cadeira de plástico moldado para visitar o vaso do banheiro masculino de novo, pois contraiu no Congo mais do que a habitual Dor de Cotovelo do Terceiro Mundo e ele realmente espera que não seja disenteria (de novo).
Ele se senta como Lutero na privada e (re)avalia sua teologia, porque…
… embora como bundista saiba que homens que estupram e fatiam mulheres deveriam ser reeducados para não fazer isso, ele também tem esse impulso de que a coisa mais eficaz seria simplesmente…
… atirar nos filhos da puta.
Ele sabe (sempre reflexivo) que há algo mais.
Talvez esteja apenas doente e cansado, mas também está
doente
e
cansado
de aparentemente tudo nos últimos tempos. Ele sente
tédio
depressão
à deriva na sua vida. Sem propósito, talvez porque
… cava um poço no Sudão e os janjaweed mesmo assim aparecem e atiram nas pessoas
… compra mosquiteiros e os garotos que você salva crescem e
                         … estupram mulheres
… monta empresas familiares em Mianmar e o Exército
                         … as rouba e usa as mulheres como escravas e
Ben está começando a temer que esteja começando a partilhar a opinião de Chon sobre a espécie humana
de que as pessoas são basicamente um monte de merda.


38

E agora isso
Ben pensa enquanto volta para a sala da primeira classe e pega um chá de ervas.
O CB envia vídeos brutais como ferramenta de negócios no setor até então (relativamente) pacifista da maconha.
Que gentil.
E depois?
Ele não quer nem pensar.
É, mas vai ter que pensar, diz a si mesmo, porque vai ter que reagir. Chon tem uma reação em mente (quer dizer, à mão), mas a verdade é que não há chance de eles superarem o Cartel de Baja em armas. E, mesmo se pudessem, Ben não sabe se quer isso.
Ben não sabe de nada no momento.
Ele ouve a chamada para seu voo.


39

Ameaçada com confisco e⁄ou um limite no seu cartão platina, O. concorda em participar de uma sessão de aconselhamento com Rupa.
Eleanor vai à casa delas.
— Ela funciona como a Domino’s? — pergunta O. a Rupa. — Se não entregar uma vida nova em vinte minutos, sai de graça?
— Vamos parar por aqui.
Então O. se junta a Rupa no sofá, ao passo que Eleanor, seus cabelos prateados belamente destacados por uma blusa de seda em um tom escuro de lavanda, entrega-lhes fichas e diz:
— O três é um número muito poderoso em nossa cultura e nossa psique coletiva, então vamos usar o poder do três para aumentar nosso poder pessoal.
— E eis que somos três aqui — observa O.
— Muito perspicaz, Ophelia — diz Eleanor.
O. se retrai.
Eleanor continua:
— A diferença entre um objetivo e um sonho é um plano de ação, então quero que escrevam nessas fichas três objetivos que vocês têm para hoje e os três passos executáveis que darão para fazer cada um deles acontecer.
Rupa escreve:
* Ficar fisicamente mais forte
* Avançar no sentido de me tornar uma conselheira
* Preparar uma refeição capaz de me alimentar tanto física quanto espiritualmente.
O. escreve:
* Ter um orgasmo múltiplo de enlouquecer.
— Eu pedi três coisas — diz Eleanor.
— Se eu conseguir, serão três coisas — responde O.
Mas Eleanor é durona. Ela não arranca 250 pratas de um bando de donas de casa cansadas do South Orange County sendo uma palerma. Ela olha diretamente para O. e pergunta:
— E quais serão os passos executáveis para você se aproximar do seu objetivo?
O. anui e lê:
* Adicionar “pilhas alcalinas” à lista de compras da minha mãe
* Arrumar um tempo só para mim
* Pensar no cara da piscina


40

Eles apanham Ben no aeroporto John Wayne.
Chon acha que é impossível não gostar de um aeroporto com o nome de um herói caubói do cinema que fugiu do alistamento e transformou seu jeito de andar gay e de pés tortos em uma máquina máscula de ganhar dinheiro. Comprou metade de Orange County no passado, foi praticamente o dono de Newport Beach, no estilo fodam-se os filmes, o dinheiro está em imóveis.
Aaarrrghhh.
Todos aqueles caras — Wayne, Hope, Crosby — compraram grandes pedaços do Sonho Californiano — Newport Beach, Palm Springs, Del Mar — e os venderam da mesma forma que venderam suas fantasias de celuloide. Sol, veleiros, golfe.
Golfe à beça.
Martínis no gramado, piadas internas maliciosas, piranhas de mil dólares esperando nos carrinhos, apostando boquetes em birdies, bogeys, qualquer cretinice de branco rico meu pau pequeno não é tão pequeno quanto o seu pau pequeno. Mande sua bola no gramado verde, no gramado verde, no gramado verde, verde, verde.
Os perdedores ficam com a areia.
Iraque. Istãolândia.
Qual taco eles usam para sair da areia? O wedge?, Chon pensa. É, isso seria legal.
Preso no Istão, seu saco de tacos de golfe lhe dá o wedge confiável, você faz um belo movimento e volta para o gramado.
Martínis e boquetes para todos, meu bom homem.
Ele e Ben jogaram golfe uma vez. Entraram no Mustang e foram para Torrey Pines, se encheram de metanfetamina e mataram nove buracos em uns sete minutos e meio, martelando a bola como cossacos acertando cabeças. Não substituíram a grama arrancada, que aliás foi muita. Correram de buraco em buraco como se fugissem da mira de atiradores de elite. Jogavam-se no chão e corriam, levantavam-se oscilando.
Até que um administrador indignado apareceu e os enxotou dali.
Enxotou os dois dos belos gramados.
Do Sonho.
Duke, Der Bingle e Bobster não querem mais vocês aqui.
Ben quis que Chon protestasse — sou um veterano de guerra, lutei para proteger seu direito de acertar 18 buracos em uma bela manhã da Califórnia junto ao mar junto ao mar junto ao belo mar você e eu você e eu oh seremos um belo par. Eu sangrei por aqueles buracos. Sem homens como eu, as piranhas do clube estariam vestindo burcas, meu amigo.
Mas Chon não fez nada disso. Recusou-se a invocar a justa indignação. A verdade é que ele não havia ido para Istãolândia para defender seu country club. Foi porque já estava nos Seals quando aqueles escrotos jogaram aviões no WTC.
Mas ele não disse isso ao administrador. O sujeito já estava a meio caminho de uma síncope, então Chon disse apenas “Cuide bem dessa grama” e saiu sem causar mais confusão.
Enfim, agora ele está no aeroporto John Wayne. Se você viaja para Orange County,
eles fazem com que você saiba onde foi que se meteu, peregrino. Não se engane com essa coisa maneira de surfe, você está na Rica Republicanolândia, então é melhor se comportar como deve ou eles soltam o Duke em você.
Até parece.
Até bem pouco tempo atrás, os republicanos eram objeto de ódio e medo — agora são apenas uns babacas patéticos. Barry os colocou na mira e cortou suas gargantas. (O-BAM-a!) Hoje eles circulam por aí como garotos brancos de fraternidade em Bed-Stuy, falando grosso para mostrar que não estão assustados, enquanto a urina escorre por suas calças de algodão até seus sapatos de pelo de cavalo. Obama perturbou tanto esses mauricinhos que tudo o que eles podem fazer é se esconder atrás de um DJ gordo e drogado, uma patricinha surtada do Norte Distante e um telecretino que faz discursos didáticos carregados de adrenalina ao estilo anos 1950 (falando em paus brancos pequenos) como um professor de hábitos saudáveis em uma instituição para criminosos sexuais.
Chon tem um vídeo mental desse palhaço engasgando com um osso de galinha em um restaurante, rolando no chão enquanto os garçons e cumins negros e hispânicos tropeçam uns nos outros ao saírem correndo para telefonar para o 511 – o número de informações sobre o trânsito.
Claro que os democratas vão encontrar alguma forma bizarramente aleatória de tropeçar na reta final; eles sempre fazem isso (“Como é mesmo o seu nome, querida? Monica?”). Nesse meio-tempo, Chon mal pode esperar — mal pode esperar — pelo momento inevitável em que um desses palhaços cometerá um erro com o microfone aberto e chamará Obama de crioulo. Isso vai acontecer, você sabe que vai, é só uma questão de tempo, e vai ser uma delícia ver a expressão perturbada e chocada naquela cara pálida idiota enquanto ele se dá conta de que sua carreira está mais morta que um Kennedy.

CONSELHEIRO PROFISSIONAL POST-MORTEM
E como foi que sua carreira morreu?

IDIOTA
Eu chamei Obama de crioulo.

CONSELHEIRO PROFISSIONAL POST-MORTEM
(Pausa incrédula)
Uau.

Nesse meio-tempo, o Partido Republicano fica com outros tipos de bufões. O favorito de Chon é o governador da Geórgia comendo a chica na América do Sul enquanto alega estar fazendo uma caminhada pelos Apalaches (nada menos que o “Dia de Caminhada Naturista”).
Depois chorando por isso.
Outra coisa dos republicanos — atualmente eles choram na TV como uma menina de 12 anos que não foi convidada para uma festa de aniversário. (“Tudo bem, Ashley, Brittany é uma idiota, todo mundo adora você.”)
Os republicanos não costumavam chorar.
Os democratas choravam e os republicanos os sacaneavam por isso.
Como deve ser.
Pergunte a John Wayne.
Chon odiava democratas, via-os como yuppies hipócritas bundões, um bando de gays no armário sem colhões para assumir o que são. Ele ainda os odeia, mas desde o Iraque — desde que o Fantoche de Meia teve sua coleira puxada pelo Sr. Wilson —, quem Chon realmente odeia são os políticos republicanos. Um tanto resumidamente, Chon acha que eles deveriam ser caçados como cães raivosos, e mortos e jogados em uma vala comum, e depois cobertos com cal sobre seus corpos pútridos para não ressurgirem numa noite de Halloween como os zumbis que do contrário se tornariam.
Enfim…

Al aire libre









Foto do dia!








Nova foto do Taylor em NY

Canadian Day em NY, Central Park

Obrigada Steph Kitsch...


Novas fotos de The Normal Heart (28/06/13) - ATUALIZADA

Novas fotos do nosso Tay Tay filmando The Normal Heart em NY, com Jonathan Groff e Joe Mantello...









































Gif para o Blog. *-*



Saturday, 29 June 2013

Explicando novamente

Olá, estou aqui novamente explicando sobre o "tradutor", algumas pessoas estão me enviando mensagens no Facebook porque não estão conseguindo entender minhas postagens, porque não entendem o idioma... Eu não posto em inglês, porque no Blog tem tradutor, que eu agora até troquei de lugar e coloquei o título: TRANSLATOR, está lá em cima no canto esquerdo... 

Hello, I'm here again explaining about the "translator", some people are sending me messages on Facebook because they are failing to understand my posts, because they do not understand the language... I don't post in english because on Blog has translator, now I switched places and I put the title: TRANSLATOR, is up there in the left corner...




Novas fotos do Taylor no set de The Normal Heart

Taylor no set de The Normal Heart hoje em NY...
Que lindo!!!





Nova colaboradora no blog

Temos mais uma autora no Blog, agora somos três... Mais uma Kate por aqui... 

Seja Bem-vinda Kate Coelho!!!! 

Parabéns pela sua primeira postagem!!!!








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